"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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INFORMAÇÃO DISPONÍVEL E LEITURA DE MUNDO   
    Nos dias de hoje, o que se vê é que as informações vêm de todo lado, inclusive de fontes impensáveis até alguns anos atrás, como se observa nas redes sociais por meio da Internet. Até mesmo nossos amigos são capazes de produzir conteúdo variado. Contudo, o que se pode colocar em xeque é a qualidade dessa informação e mesmo a capacidade interpretativa dos leitores das diversas mídias.
    O mundo vive hoje uma pressa nunca antes constatada. Antigamente, quando mandávamos uma carta para alguém, sabíamos que ele receberia a mensagem dentro de uma margem de resposta de quatro a cinco dias. Quando telefonávamos a uma pessoa e ela não estava em casa, poderíamos deixar um recado visando a uma ação posterior por parte dela. Não, agora não é mais assim e a interação é instantânea, com a ação desencadeando uma reação que gera outras interações e assim por diante. Na mesma proporção, cada vez mais nos chegam informações e elas precisam ser processadas em tempo real. Contudo, a interpretação disso tudo, ou seja, a leitura dessas demandas, não pode ser feita instantaneamente, implicando uma maturação que é pessoal, que deveria ocorrer de dentro para fora, numa cognição que não se dá numa epifania, porque esta luz não se acende de forma trivial.
    Se fôssemos apenas respeitar a linguagem mais rudimentar, como o internetês, poderíamos minimizar a falta de vocabulário em nome de mais um registro de linguagem, mais informal. Poder-se-ia até dizer que ele é prova da riqueza linguística. O mesmo se poderia dizer de quem somente usa gíria em seu cotidiano. Nada contra a gíria, tudo oposto quando ela é o único registro empregado por quem responde ao complexo com simplificações. Já imaginaram tais pessoas assinando um contrato de trabalho ou mesmo assinando uma escritura pública de negócio de um imóvel? Existe versão simplificada para pessoas de baixo domínio do vocábulo? Claro que não.  Ressalte-se, todavia, que elas são expressão do seu meio.
    Desde o papiro ou antes dele, com as inscrições nas cavernas, o ser humano quis mostrar aos outros seu modo de vida, seu estar no mundo. Nessa roda da história, em que as ligações interpessoais constituem-se como dialéticas, não só no discurso, mas na práxis cotidiana, ler e entender se conjugam cada vez mais entre si.

Jornal Correio do Povo, Porto Alegre-RS, 6 de abril de 2015.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 05/04/2015
Alterado em 05/04/2015


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